Do tópico ENCANTO, FORÇA E VERSO CINTIA DE ANDRADE!

Leve... era o peso em meus ombros,
e tudo que levei de graça ou às custas de desejos perdidos.
Leves asas me deixei...
aprisionando a beleza do singelo breve.
Levei tudo que podia numa mala preta de sombra fresca,
e a luz que não entrara lacrava a última porta.
E assim, o que eu levava agora era o peso das minhas escolhas,
e as pedras que ao tirar do caminho de jeito qualquer,
guardei na bagagem sem me dar conta.
E o peso das horas que perdi,
e das que vivi em cada atenção dedicada ao que me roubava vida...
Mas que já era a própria vida a me viver.
Cintia de Andrade
..

Versos calam a minha voz... gritam!
Cerram minhas mãos à caneta
Incontroláveis...
Inutilmente eu me ponho em máscaras
E canto pelos cantos...
Conto pelos cantos...
Espaços de breu e de tamanha claridade
Que os meus sonhos se desprendem dos olhos lúcidos
E se libertam...
Sem a licença das palavras,
Nem dos ruídos que se fazem música.
Os versos cantam pela chuva
Com a liberdade do casal apaixonado...
E com todos os perigos,
Com os póros abertos
E os braços abertos...
Soltos, livres, imorais...
Enfrentando as grandes casas de deus,
Onde nem ele ao menos pode entrar sem pedir licença,
Sem cumprir a norma...
Casas grandes que a mim seriam tão mais brancas
Se ouvissem nos vidros ao seu redor...
E o ouro fosse menos reluzente.
Me calo. Para ouvir então apenas música...
A singela mágica que os meus versos trazem
E se fazem deus, dentro de mim...
A gritar em silêncio.
Porque aqui dentro, onde o sagrado e o humano permanecem
É de onde se grita...
E é o que ninguém escuta
Porque não crêem que poesia é oração!
Cintia de Andrade
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