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sábado, 13 de novembro de 2010


POETISA AMÉLIA DE MORAIS!


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sexta-feira, 12 de novembro de 2010


PEQUENAS GRANDES PÉROLAS!


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Quadro Cambiante

Piso os umbrais de mais um dia
que se encerra; missão cumprida.
Ao pôr do sol, o astro na descida
do horizonte, boceja, em letargia.

Cores mudam; quadro cambiante.
E até a alma, no poente, entardece.
Preâmbulo do crepúsculo aparece.
Noite prepara a entrada, triunfante.

Na mente, qual retrovisor, dançam
as veredas que rodei; posso rever
as penas, que resolvi, sem sofrer.
As outras, suspensas, descansam.

Empoleirada nos raios já sem cor,
a paisagem escurece; nova veste
vai trajando, do leste até o oeste.
O toque de recolher soa em langor.

E de repente o céu é o novo campo.
O breu requer toda minha atenção.
Flores somem; seres da escuridão
vêm, com estrelas e os pirilampos.

Madrugada fará sua estréia, eu sei.
E o cenário outra vez se modificará.
Em direção ao amanhecer tudo irá.
Natureza, impassível segue sua lei.

Rosemarie Schossig Torres


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DO COSMO ABISSAL PROFUNDO

Pois, sim no fundo abissal
do oceano do mundo
existem universos

Existe um complexo estrutural
em fractal convexo
mistérios abertos

Pois há no profundo natural
do oceano do mundo
a vida completa

Vida em escala dimensional
a virtual fala
sinal alerta

na alegórica mandala

Anorkinda



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Em tela-soneto

Pintei com tuas tintas um quadro risonho.
Da obra que nasceu, de autoria minha,
embora tuas sejam as cores do sonho,
gerou um vórtice, uma luz diminuta.

Rodopiei ali, deliciada em encanto,
na dimensão da pintura e sozinha
adentrei na atmosfera e no canto,
melodias da candura mais solta.

Não quis, mesmo se pudesse,
sair deste redimensionamento.
Deixei que a tela me falasse...

Do porvir deste novo amor,
em aquarelas de sentimento.
Dancei com as minúcias em fervor...

Anorkinda


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Berçário Ideal

Eu estava só! Mas que nada.
Fala o silêncio à minha alma.
Conversam vozes em calma...
Por sons refratários abraçada.

Então solidão é berçário ideal,
pra embalar o coração à deriva.
Recolhimento agora me cativa.
No âmago dou um salto mortal.

Saem palavras de seus cantos.
Estavam lá, quietas, em letargia.
Recheiam a ausência de poesia.
Não há receio, dor, quebranto...

Ao redor, quando a escrevente,
sou, nada é urgente, desolação
não existe; dou à afanosa mão
a emoção e um desejo ardente.

Rosemarie Schossig Torres


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MEUS TONS

Espero, sim, espero pelo sol
Espero eternamente pelo si
Entre sustenido e bemol
Espero eternamente pelo mi

Entre tantas canções, tantas
Escolhi apenas uma, uma apenas
Aquela que presa na garganta
Explode em muitas, centenas

E cada centelha que cai
Se abre em diversos sóis
E a tristeza se esvai
E solto, alto, a minha voz

Eu canto em todos os tons
Meu pensamento é mudo
Vem da alma os meus sons
A música é meu escudo

Amélia de Morais


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POETA

Bem-te-vi azul na palmeira
vestido de luar
encostando na tarde
sua solidão em paz.

Bem-te-vi na canção
perolando as palavras
melodiando a rosa.

Vi sua alma passarinho
entre as folhas do poema,
reconheci sua face.

Bem-te-vi ali na encosta
prestimosa alma
enfeitando a noite
da vastidão que traz

Bem-te-vi na emoção
perolando as palavras
melodiando a prosa

Vi sua alma andorinha
entre as flores de açucena
reconheci toda a cena.



Danniel Valente & Nina Araújo



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Mágoa e resignação

Fui ferida
À traição!
Cuspiram na minha mão,
Magoaram meu coração.
A sombra se fez em mim,
Muito tempo a mágoa ficou...
Minha alma chorou...
Andava pelas ruas
E o peito ardia;
O choro invadia;
As lágrimas caíam...
E eu sofri.
E eu chorei,
Até não existirem
Mais lágrimas
Pra chorar...
Desesperança invadiu
Meu céu...
Minha alma vagava
Ao léu..
Não feri,
Não ferirei!
Se é justo que eu chore,
Chorarei!
Se é justo que eu sofra,
Sofrerei!
Mas a ninguém
Magoarei.

Jane Moreira


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Há rumores

Há rumores de novidades no ar
Burburinhos felizes se ouvem
pelas esquinas e festivais

Há rumores de que irá arrepiar
a todas as pessoas do lugar

Há rumores de novidades no amar
Vizinhos curiosos alardeiam
a boa-nova nas capitais

Há rumores de que será tão bom
e todos cantarão no mesmo tom

Há rumores de novidades no ar
Locutores solícitos, se revesam
pelas rádios, em sinais

Há rumores de que irá irradiar
a energia do compartilhar

Há rumores de novidades de amar
Senhores e senhoras convidam:
- Vamos perdoar mais!

Anorkinda


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quinta-feira, 11 de novembro de 2010


POETA ALEXANDRE DE PAULA!


Soneto Para Não Morrer


Quando eu for embora na brisa quente
Não deixe sumir do peito o calor
Não deixe calar a voz. Quando eu for
Não me deixe ver o caminho à frente

Não me deixe ver, p´ra que no furor
Não queira voltar tão subitamente
E mesmo que só e um tanto descrente
Os pés neste chão possa sempre pôr

E quando eu voltar, olhe no meu rosto
Verá um sorriso, um olhar altivo
Quem sabe me veja só assim disposto

Quando eu for-me embora no velho crivo
Quero antes sentir aquele ébrio gosto
P´ra ter a certeza de que estou vivo.

Alexandre de Paula


Dois olhos


Como se em verdade a verdade eu fosse
Dois olhos me fitaram frente a frente
Dois globos se fundindo plenamente
Na essência que o não-ser a mim me trouxe

Como se em verdade a mentira eu fosse
Os olhos mesmos me fizeram crente
Dois lábios se deixando secamente
Na florescência de algo que acabou-se

Como se por certo o certo eu não era
Se fez em mim enlace tão perfeito
E em face do mais ínfimo despeito
Desfiz-me em pó e vento qual quimera?

E como se por fim eu fosse fera
Eu que nunca santo, nunca eleito
Dois olhos me domaram cá no peito
Como se eu só fosse nada. E eu era.

Alexandre de Paula

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