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sexta-feira, 16 de julho de 2010

PEQUENAS GRANDES PÉROLAS!


* * *

Encontro Marcado

Ora!
Chove lá fora
Meu burro olha pela janela
Com medo do luminar da vela.

As pás do velho moinho
Fazem tremer todo o vinho
Na taça norueguesa
Que espera encima da mesa.

As gotas que caem do telhado
Deixam meu vitrô riscado
Com o rastro da água de nuvem
E trovões ao fundo se ouvem

Balanço a caneca de cerveja
Que respinga nas frutas da bandeja
Tal uma tela de natureza morta
E um semblante se desenha na porta

A porta se abre, trepida e range
E ali esta você, roupa preta e alfanje
Com toda elegância finaliza o vinho
O dedo em riste me aponta o caminho


Do nada aparece um negro rio
Sua mão no meu ombro me mata de frio
E antes de engrossar a vil correnteza
Sinto que não tenho mais a alma presa

Tarcisio Mendes


* * *

NUANCES
.
Roçou, de leve, a memória de nós
Ao recordar-me daquela pintura:
Das nossas tardes entre mil girassóis
Cavaletes, pincéis, tintas e moldura
.
Cores, fortes e vivas, gritavam na tela
Faziam-se voz do nosso intenso amor
Retratando a cena em tons de aquarela
Numa coreografia de nuances; multicor

.
Mas não era forte, do amor, a estrutura
E o nosso quadro perdeu a textura...
.
Das nossas tardes manchadas de tinta
Restou-me sentir a saudade em relance
Rogo aos céus que tu também sintas
E volte a cobrir-me com tuas nuances
.
(Lena Ferreira)


* *

Opte

Bebe; sorve todo meu veneno
Embriaga de vez a tua alma
Toma-me; num só gole
Tenha a soberana coragem

ou

Negue; diga-me um não pleno
Afaga teu ego com calma
Cobra-me; num só tiro
Tenha uma digna vitória

Anorkinda


* *

A Primeira Vez

Nesta noite, anseio me perder.
Embriago-me de vinho e paixão.
Não pretendo hesitar, nem conter
O renitente desejo do meu coração.

A mão impertinente se conduz
Por um caminho impróprio.
A cálida boca seduz
Ditando suas regras ao corpo.

O corpo estupidamente resiste
Por segundos... imanente persiste
E teima ainda em relutar

A mão pega a caneta arredia
Ternamente rasga a nudez da folha fria
E se atreve a sonetar.

Viviane Ramos


* *

Morango


fruta de grande nobreza
cor e forma agradável
riqueza da natureza
um sabor inigualável

suculenta iguaria
muito bem acompanhada
d'um requintado champanhe
ou quiçá numa salada

e provando dessa fruta
lembro-me sempre de ti
o teu beijo tem a doçura
de morango com chantilly


Eliane Thomas


* *

O MISTÉRIO DAS LETRAS


Toco o intocável em doces sensações
Voo sem ser alado, visualizo um futuro
Sondo o insondável, infindas emoções
Se piso em cacos e me corto; me curo

(...)

Tateei, então, o saber, no escuro
Intentando desvendar o tal mistério
Das letras, tantas, que eu digo: juro
Me deixam provar, assim, do etéreo


E por mais que eu usasse o meu tato
O mistério das letras cada vez mais crescia
Então, minha mente gritou à razão ao ato:
São somente delírios vãos, mera utopia...

Minha alma, sempre atenta aos fatos
Desvendou-me o mistério: é poesia!

(Lena Ferreira)


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RIMA BOBA
.
Não é como comer yakisoba
É preciso ver além
Da rima boba.
.
LCPVALLE


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Cristalzinho!.

Criança, abra teus olhos azuis,
Cristal róseo multifacetado,
que desvenda todos os meus mistérios,
que me encontra no fundo dos olhos.

Criança lindo cristal risonho,
que embevece qualquer sonho,
de menina a mãe gentil,
Criança querida, grãozinho anil!

despenca de tuas asinhas,
feito passarinho em brincadeira
e desvenda o sonho a noite inteira...

Crianca cristal genuíno, puro, róseo,
menino, menina de meu bem querer,
Abraça as estrelas cavalgando o luar!

godila fernandes


* *

Quando voce chega:

Logo quebra o protocolo
Derrama poesia em meu colo
Sinto às narinas seus perfumes
Fecho os olhos pra ver vagalumes

Apesar de não sair em jornais
Escuto badalos celestiais
Se não ensurdecem, me deixam mudo
E espero lábios me untar de veludo

Madeixas me atacam ao sabor do vento
Assim como a letra se encaixa no acento.
Carmim, lá no peito, lateja o bólido
E o ar que procuro parece estar sólido.

O que não cabe em minha mente
É que há quem diga tão somente
Por ser amigo, ou da família:
"Vejam todos! Chegou a Cecília!"

Tarcisio Mendes


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Sussurro


Ainda ouço sussurrar meu nome!
Enquanto o mundo silencia lá fora
Peço não me faça despertar agora,
Pois se acordo, volta minha fome...

Deixe-me ficar assim, protegida,
No aconchego desse seu abraço,
Nele, eu descanso meu cansaço,
E nesse enlaço, eu fico aquecida...

Silencia a palavra com o sorriso,
Quero ouvir apenas a respiração
E acelerado o pulsar do coração
Que me fala mais do que preciso...

Ouve o murmúrio da madrugada
Que plena da paz desse instante,
Sussurra aos lábios do amante,
O desejo do silêncio da amada!

Telma Moreira


* *

Abrigo de um poeta

Não carece de parede
Nem de uma porta que se fecha
Já que poeta escancara
Sua arte ameniza o frio
Que a noite lhe prepara

Não carece de um teto
Nem de uma casa ou canto
Já que seu abrigo lhe concede
O lar que tanto lhe cede
Acolhida e encanto

Não necessita de um chão
Onde possa andar, viajar
Já que tanto ele anda
Nas cantigas nos declames
Viaja nas rimas, no ar

Não necessita de uma cama
Onde cansado recosta o dorso
Já que poeta não dorme... Mas sonha
Ser a cama onde tantos lêem
Recostam quando o sono apanha

Abrigo de poeta é sarau de várias noites
É casa imaginária escrita por ele
É canto de repouso para os que
Precisam ser acolhidos.
É resguardo
É guarida
É amparo
De poeta!

André Fernandes


2 comentários:

Telma disse...

Colaborar aqui é uma honra... Ser trazida pra cá, creio que não mereço!

Sem palavras...Silencio... Sussurra as emoções ao meu coração... Preciso ouvi-las!

Beijo com amor!

Anorkinda disse...

of course uemerece! amooo tu!!!

bju!!