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segunda-feira, 12 de julho de 2010

PEQUENAS GRANDES PÉROLAS!



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O POETA E A PAREDE

Continuarei aqui
Falando com a parede

Sei que a parede tem ouvidos
Mas não bebe comigo

Já vi poemas inteiros
Na parede em branco

Uma parede em branco
Parece um universo não criado
Mas vejo Big Bangs por todos os lados

Vejo a parede e a aparência
Vejo religião, filosofia e ciência
E é nesta ordem, paciência

Vejo a parede, parada
Vejo muita coisa
Onde muitos veem nada

Ninguem vê a parida da parede
A porrada de parêntesis
A pirraça da poética, parruda
Para muitos é só parede, não muda

A tinta que a parede pinta, desponta
Contanto que o poeta sinta
Que por trás dessa mistura, dura
Existe muito mais do que pintura

E todos morrem perguntando:
Onde é que tem história nisso tudo? Onde?
É que a parede tem ouvidos mas não fala, esconde
E só o poeta ouve...e responde.


(LCPVALLE-30/01/09)



* * * * *

Na palma da mão

Nos palmos da vida milímetros de tinta
Que a tela maior, fez a obra findar

Rasteiros desertos, carcomidas ceias
Terreiros de barro, amantes sem lume

A lua se cala, o mar evapora
A poesia chora, pedaços de mim...

O amor dita a hora
Caminhantes para fora
Negando a ausência, morrendo assim.

Nos palmos da vida, pedaços de mim.

A palma aberta...
Fumaça de cores, do fogo, os amores
Que queimaram sem fim

Pingando fumaça, embaçando a vidraça
Matando sem pena
O amor que teci...

Se for brincadeira, tiraram a cadeira
E na roda da vida,
Caímos sem fim.

Márcia Poesia de Sá

* * * *

Força estranha

que invade as entranhas
estado de ânimo perturbador
sequer sem saber o motivo
dessa angústia tamanha

no auge da agonia
num ato revelador
explode peito num frenesi
em busca da poesia...


Eliane Thomas


* * * *

A Primeira Vez

Nesta noite, anseio me perder.
Embriago-me de vinho e paixão.
Não pretendo hesitar, nem conter
O renitente desejo do meu coração.

A mão impertinente se conduz
Por um caminho impróprio.
A cálida boca seduz
Ditando suas regras ao corpo.

O corpo estupidamente resiste
Por segundos... imanente persiste
E teima ainda em relutar

A mão pega a caneta arredia
Ternamente rasga a nudez da folha fria
E se atreve a sonetar.

Viviane Ramos


* * *

Sempre-vivas

Quando eu morrer
um dia
Não serei hóspede das minhas lembranças...
Sem precisar da minha matéria
lapidarei meu espírito bruto em sempre-vivas
Para ressurgir em outro corpo , em outro viver .

Ana Maria


* * *

Bandeja da Lua

É ainda aurora
O sol nem colabora
Em tingir a flora

Mas já balbucio seu nome
Já me devora essa fome
Sua sombra me consome
Sua imagem que não some

Se rei, viro um inseto
De monarca a sem teto
A marginal, de predileto
Ancião, a vez de feto
Jóia, a torpe objeto

E assim digiro o dia
Atrás de vã alvenaria
Engaiolando a utopia
E ela nem desconfia

E o céu se "apreteja"
A lua oferece na bandeja
Um órgão cor de cereja

Tarcisio Mendes


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Opte

Bebe; sorve todo meu veneno
Embriaga de vez a tua alma
Toma-me; num só gole
Tenha a soberana coragem

ou

Negue; diga-me um não pleno
Afaga teu ego com calma
Cobra-me; num só tiro
Tenha uma digna vitória

Anorkinda


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BOLERO

A névoa baila
sobre o espelho d'água
enquanto as nuvens passam
sobre a pista de dança
e os pássaros canoros
brincam com suas asas
como se fossem crianças

As flores e as florestas
despertam com a chuva
e a cachoeira se enche
de puras águas frias
saltando no compasso
para o palco da lagoa
onde um coral de bolhas
entoa linda sinfonia

Colibris entre os hibiscos
pequenos saguis de olhos grandes
e sons estranhos entre os bambus
festejam a natureza rica
com simplicidade divina...
A libélula sobre a folha de capim
a orquídea, no tronco, agarrada
as araras nas clareiras
os tucanos e maritacas
passeando em alegre revoada
no salão azul do palácio celestial
celebram a vida, o dom, o infinito
assim como eu, ouvindo um bolero de Ravel
compus mais um poema, orei com poesia...

Janete do Carmo


* * *


DEIXE-ME FALAR DE AMOR

D eixe-me falar de amor
E nquanto puder ler teu nome
I luminando as placas do meu coração.
X amânico, hispânico ou em que idioma for
E starei sempre lendo a palma da sua mão.

M eu amor por você é sincero
E spalhando sementes e colhendo no eterno.

F olhas ao vento sopram o perfume das flores
A tenta, espero com sofreguidão
L utando contra todas as dores
A umentando meu amor, minha paixão
R iscando do meu caderno o amor de outros amores.

D oando a minha essência em carinho
E spero refugiar-me em seu ninho.

A braços ternos, eternos, fraternos
M esclados de pura e intensa emoção
O uvem como o som dos passarinhos
R isos espalhados na canção.

May May


* * *

Eclipse

Quando o sol desaparece
E a lua fica enciumada
Ela se passa para frente
Se mostrando assim apagada

Um mistério então se mostra
A beleza da imensidão flagrada
Seres vivendo na terra...
E tantas grandezas aladas

O universo gigante
Além de nossa via láctea
Observa atento
A dança deste dueto

Quinta grandeza de brilho
Fazendo-se nulo num espelho

E os povos do passado
A este fato, temiam
Acreditavam serem sinais
Portais de Deuses sublimes

A humanidade reconhece
As energias da luz

O mar a ela, não se faz de rogado
Sobe suas águas cristalinas
Reverenciando este bailado

Márcia Poesia de Sá


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Gravíssima Latente

Caduca poesia grandeva,
devias me ter fatigado.
Não que cansar-me não deva,
mas seja um cansar pelejado.

Gravíssima poesia latente,
estende, na folha, seus braços,
eivada de inumos dormentes
e sóbrios, e duros como aços.

Tratada de tantos trabalhos
do metro, do ritmo e rima
que ouso dizer-te, os teus bardos
são feitos de forças e limas.

Brandíssima e casta poesia
ornada de intentos versados,
se vens, fica a alma vazia...
Mas cheia de enleios e afagos.


A.R.S.


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Via láctea de fã

Ora! Via láctea nem mais meu pranto
Meu choro surgindo a ti em estrelas
Ora! Bondoso céu de elevado encanto
Das cantigas de grilo ao ouvir-te delas

Ora! Enegrecido tom em fria aurora
Faz se o levanto das minhas liras
Ouvis meu pranto já chegou à hora
Morreis no manto, que a mim atiras

Ora! Singelo e triste canto que tal
Morreste no infinito perto do criador
Abóboda celeste... Tu és sensacional!

Ora! Sensação que o corpo sem dor
Vestido pelo espaço já nem é recital
Viveu o tudo... Que a vida foi amor

André Fernandes


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VENTO E AREIA

A dona da onda
Muda a duna.
Sem dano... nada!

A vaga, devagar
Navega o deserto
Decerto, em voga
Grava o mar na areia!

Janete do Carmo


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Raio Cristal!.

E os cristais fazem a festa,
atraem e ampliam energias.
E a Natureza se veste em cores,
banha-se em rios que transbordam,
muda a direção que o homem havia dado,
e com a força cristalina, como um Nilo,
recobre as encostas com humus.
E o homem de energia desqualificada,
boquiaberto assiste ao desequilibrio
de si próprio, e de suas inertes soluções.
Reluzem grandes cristais e as linhas de LEY,
aos poucos vão retomando sua jornada,
terrena, intraterrena e omniversal.
As sementes, lançadas ao solo, germinaram.
A Luz manifesta-se em todo o seu esplendor,
Agora em mãos treinadas para seguir...
Em mãos de grande amor por Todos e Tudo,
Deus Pai/Mãe em energia manifestada!

godila fernandes


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MEUS CÁLCULOS

Faço cálculos milimétricos
Estudo objetos
Tentando controlar
O rumo incerto
Que a vida tende a traçar


Dá para isolar o abjeto
Quadriqualizar o obsoleto
E recomeçar?


Viviane Ramos


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Caminhos sem tempo....

Caminhos amplos,
vastidão na paisagem,
o coração desritmado,
e a saudades na viagem.

Mudo o rumo do pensar,
encontro telas no olhar,
trago o peito dolorido,
do amor quase perdido.

Mundos que descriminam,
poderosas armas letais,
curas mirabolantes,
de alguma forma fatais.

A estrada descortina meu mundo,
colorido, amplo, feliz, amado,
Desdobra-se em velozes pensamentos,
rouba a segurança da surpresa.

Como um ninho sobre frondosa árvore,
sou pássaro de muitos filhotes,
Trazendo no peito a vitória,
de uma trilha cheia de amor.

Moro num mundo sem tempo,
num tempo bastante diferente,
de um plano divinal de evolução,
sou raça azul na chispa que corta o vasto...

godila fernandes


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NOSSO CASO, MEU OCASO

N osso caso começou
O utro dia como amigos
S e deu certo, continuou?
S e acaso o céu brilhou?
O uvirei os seus sentidos.

C omo um pássaro no ar
A travessando o infinito
S erá que ouso sonhar
O u é apenas um grito?

M as a resposta almejada
E nfim pode revelar.
O que o poeta procurava?
U m alguém pra ele amar.

O perando em sintonia
C omo acordes, um solfejo
A lço a voz em harmonia
S e realizará o desejo do poeta com a poesia
O rnamentando o ensejo.

Mary May


* *

Essa luz

Que nasce expande e irradia
Inebria...
Esse amor
Que cresce, prolifera, aquece
Extasia...
Essa vida
Que segue, retorna e segue
Ensina...
Este perdão
Que implora, pede, é dado...
Alegria!
Este mundo
Que gira, e gira, vai parar
Num segundo!
Quando o homem
Que morre, morre, morre
Renascerá..
E essa luz
Que até parece apagar...
Explodirá!
Em raios de amor
Por sobre toda
A humanidade.

Márcia Poesia de Sá


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SONETO DA ESCOLHA

Se hoje eu pudesse decidir
e escolher o bem como final
Quem sabe poderia definir
e acabar de vez com todo o mal.

Talvez, então, pudesse distinguir
a irrealidade do real
A estrada poderia prosseguir
num sentimento puro e leal.

O fim de uma guerra é atitude
A mente se define em plenitude
O início finaliza o que é fatal.

A vida se mostrando um tanto rude
Escolhe o amor como sinal
E atingirás, então, um bom final.

Mary May


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É certo que:

Quanto mais eu peço
Mas o mundo me esquece
Quanto mais eu desço
Mais o abismo engrandece
Quanto mais eu vejo
Mais a vista esvanece
Quanto mais eu beijo
Mais saliva entorpece
Quanto mais eu luto
Mais porrada acontece
Quanto mais eu escuto
Mais o todo emudece
Quanto mais eu peco
Mais eu devo em prece
Quanto mais espremo
Mais a espinha cresce
Quanto mais eu fujo
Mais a aranha me tece
Quanto mais engulo
Mais sapo me desce
Quanto mais enfezo
Mais ruga floresce
Quanto mais eu suo
Mais a ira me aquece
Quanto mais eu rezo
Mais demônio aparece

Porém:

Quanto mais poeto
Mais rima se oferece.

Ainda bem.

Tarcisio Mendes





Um comentário:

Márcia Poesia de Sá disse...

Este blog é show! me honra participar...

Pequenos grandes mestres do abraço!

beijos meus,