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sábado, 15 de janeiro de 2011



PEQUENAS GRANDES PÉROLAS!

* * * *


Um grande amor

Guardo um sentimento
Assim , tão delicado
Envolto em renda e cetim
Em relicário sagrado

No coração,assíduo e perene
Um hóspede bem vindo e muito amado
Essa sensação intensa ,se espreme
Reclama espaço, se torna estouvado

É meigo, suave , porém entusiasmado
Toma conta do meu ser , inteiramente
Sou toda coração de corpo e mente
Um ser humano totalmente apaixonado!


Eliane Thomas


* * *


ENGODO

Meu coração está tão frágil,
Corroído pelas teias da solidão,
Fragilizado pelo amor apagado,
Tão sujeito a qualquer aliciação.

Mesmo acordado, os sonhos me atraem,
A imaginação por si só já tanto me seduz,
A tristeza é engodo, a quimera compõe iscas,
Sou fera, mas ferida e mercê de todo engano.

Vasculho as lembranças aquietadas no peito,
Reviro as gavetas do tempo buscando nem sei o que,
Fantasio o grande amor e os abraços cálidos,
A ilusão toma forma e se transforma nas imagens que desejo.

Coração inquieto, palpitando e tecendo ansiedade,
Ansiando só um afago para se sentir vivo e ocupado,
Desejando um aceno para se ver útil e acolhedor,
Recorrendo ao passado na busca de algo que o sossegue.

Então, não se atreva a engodá-lo com simples aceno,
Nem use da tua astúcia para suprir apenas momentos,
Não queira apenas o prazer efêmero e circunstancial,
Mesmo assim fragilizado tem muito mais para dar.

EACOELHO


* *

FÁBULA DO ESPELHO D'ÁGUA

Contam por aí
que na época
em que os tatus
falavam pelos cotovelos

Aconteceu algo estranho
quando o macaco
foi matar a sede
no espelho d'água

É que seu reflexo
começou a falar
sobre as lindezas
de dentro do lago

- Meu irmão, aqui
não tem seca
nem sede terás tu...
Venha cá, molhar teus pelos...

- É um eterno banho
o calor do sol é fraco
sem teimosia de parente
aqui no espelho d'água...

Aquilo era tão sem nexo!
Macaco parou até de respirar!
Que doida natureza
era aquela do lago!

Queria sair dali
comer banana da penca
afugentar urubu
mas o reflexo continuava a surpreendê-lo!

- Vem, meu irmão, não é sonho...
Melhor do que se meter em buraco
e ter o corpo quente
é se refrescar em fresca água!

Ah... mas o mistério não era tão complexo...
Macaco é difícil de se enganar!
Num piscar de esperteza
macaco viu dentro do lago!

- Peixe safado,zarpa daqui!
- Me molhar, você nem tenta!
- Sou mais esperto que o tatu!
- E mais vingativo que o camelo!

Peixinho num medo medonho
mergulhou sem atraso
e o macaco vingar-se não pôde
ele não iria jogar-se n'água...

Apreendeu ali que o reflexo
até pode sozinho falar
mas apenas das belezas
que vê fora do espelho do lago...

Anorkinda

* *


Contra a maré

Mesmo por amor
é difícil
lutar
contra
o coração
que clama
quer beijos
quer presença

Mesmo por amor
se enganar
cedendo
à razão
é tortura
angústia
judiaria

Mesmo por amor
contra a maré
dos sentimentos
não há força
detentora

Mesmo por amor
a aliança da fé
ainda produz
a solução
redentora

Anorkinda

* *

OUTRA VEZ

No quarto escuro
onde finco manhãs.
Canto o mármore
e pétalas de rosa.

Perdido na ilusão
de um mundo intecível,
teço meu deslumbre
e minha decepção.

Burilo meu testamento
na seda inútil do entardecer,
a vida toda, nunca fui poeta:
sou um orvalho envelhecido.

Preso na beleza
da flor que há em todas as coisas,
povôo no mundo, o meu olhar.

DANNIEL VALENTE


* *

Réu Confesso

Invejo o ar que respiras
Porque te entra corpo adentro
Vejo-me louca ao saber qualquer boca
Que te sorria no transcorrer do dia

Sinto ciúme do olhar anônimo
Que cruza o teu quando caminhas
Das mãos informais que apertam as suas
E que não são as minhas

Abomino a estrada que te leva
Porque é sorrateira leviana
E pesa de saudade renitente
O meu ser inconseqüente

Adoeço quando estou no avesso
Da linha contínua
Em que estás no começo
O ciúme é meu tropeço

Nele caio, reconheço
Réu confesso, suplico perdão
Ao meu pecado
De amar-te além da conta

Célia Sena


* *

Quando bebi de sua coragem,

Amores de meus amores,
azuis de meu coração,
índigos crísticos nascidos
do amor do Pai por todos!

Creiam que lá vem outro tanto,
de corajosos e vitoriosos azuis,
índigos desbravadores do amor,
do Cristo, sementes douradas.

Nasçam meus amores, tragam Paz,
sonhem harmonia e plenitude...
Nasçam, amados da nova era,
Ensinem os espíritos na Terra...

Venham com seus akáshicos ensinamentos,
e como o vento espalhem-se em sementes,
alados azuis, queridos, tão necessitados
estamos deste amor-resgate... a hora é agora!

Que a Terra os receba feliz por curar-lhe,
por trazer-lhe a benção do céu no anil,
da nova era, crianças abençoadas...
chegai e anunciai a verdade do amor!

Acordei em você!.

GRATA!

Godila Fernandes

* *
Um Anjo Negro


Vem voando esse anjo
De grandes asas pelo céu.
Uma criatura de Serafim
A lustrar pintura nos olhos das pessoas.

Um anjo que voa,
Batendo asas fortemente
Seduz a todos a parar a cidade
E a vida que parece alegre.

O anjo negro, veio até a mim
E diz que vai me proteger,
Abriu as grandes asas e sorriu,
Abriu seu sorriso terno.

E abriu suas asas
Liberando um vento fresco
Que refrescou meu corpo
E depois me carregou num passeio

Pelas alturas
E vi a linda cidade,
O seu movimento, vi pessoas pequenas
Como formigas, vi casas, prédios e construções,

As luzes da noite
E o anjo deixou-me dormindo
Em doces sonhos
E me beijou no rosto antes de sair.

E voou, bateu as grandes asas
Para mostrar a cidade que dorme,
Um anjo guardião, voa
E só eu conheço o seu segredo.

(Rod.Arcadia)


* *
CHAGA ABERTA!

A moça espiando na janela
Nem vê a rosa a se exibir pra ela
O vento passa e dança a sua volta
Mas ela finge até que não percebe
Vagando o olhar cego de espera

A cortina balançando contra a brisa
A lua que chegante a alisa
Mas o seu coração morto de amor
Só ve a noite a solidão e a dor
Cabelos soltos a voar na madrugada
Não a fazem perceber que ja não é a doce amada
E ela presa á uma janela desgastada
Mira o tempo tão só tão desolada

A vida passa com pressa vertiginosa
Sem notar a moça solta no passado
Vivendo de um carinho envelhecido
Sonhando com um futuro inchegado
Onde os sonhos dormem nesse amor tão desamado!

Nice Canini

* *
Mar sem fim


São dos meus olhos
Que partem caravelas
Velas abertas sobre o teu mar

Um mar de azuis, aves desertas
Pássaros brancos, a te pintar

São de meus olhos
Que escorre sal
Salgando tuas aguas
De solitude

Na amplitude
Imagem terna
Horizonte plácido
Alma de luz

É no horizonte que encontro a linha
Que tracei sozinha, os olhos teus...

Fechadas janelas
De uma luz linda, que virou breu...

Navego a ermo
Distâncias tantas
Que a mim encanta
Os versos teus...

São como bálsamo
Mapa da mina...
Espadas de esgrima
No peito meu

Márcia Poesia de Sá

* *

O tempo responde

Meu ser está cansado
de tanto querer
atropelar o tempo
e tudo entender.
Preciso me desprender,
liberar o meu ego
e prosseguir, sem, portanto
ficar inativa.
Só o tempo e a paciência
darão-me as respostas que preciso.
Responderão-me com precisão

Diná Fernandes


* *

VIAGEM

O que eu quero da vida
é essa folha caída...
que já me basta
para olhar o mundo.

O que eu quero da vida
é essa folha caída...
que abre a janela
de um soneto.

E dessa folha leve e frágil
eu faço a minha lágrima
no desejo talvez
de ser o vento.

Eu faço a minha viagem
mais infinita,
no colo da folha caída.

DANNIEL VALENTE

* *

Tudo azul


Vou bem ,obrigada ...
A paz e quietude
Não troco por nada !

Mas tem que ser
Bem acompanhada
De sereno prazer...

Pitada de carinho,
Dose grande de amor;
Bem de mansinho...

Vida monocromática
Não é benvinda...
Ainda que seja prática...

Espectro inteiro de cores,
Um banquete impecável!
Oferta mais sabores...

Tornando o insuportável

Uma existência mais agradável...


Eliane Thomas


* *
Além da esfera terrena
.
Sou mesmo o antagonismo insano
dessa busca eterna e imprecisa,
primavera para enfeitar teu sono,
um cão faminto e sem dono
catando migalhas do teu desprezo...
.
Mas, se pensas que se livrará de mim, assim
esqueça...
A teimosia e o descaramento caminham comigo,
desde o limiar de minha existência...
.
Então, do nascer da alma, até o morrer do corpo
vou tentar convencer-te e, quando tudo se fizer finito,
lá no infinito estarei a sorrir buscando ainda um beijo teu.
.
Marçal Filho


* *
VIVO E VIVA

Despe-te do teu luto
Pois, pelo que está vivo
Ainda luto até o sangue

Tira a tarja negra
Já que o coração pulsa
E meu pulso é forte na lida
Até a última gota de suor

Acenda a vela
Pra espantar o breu
Porque o amor ainda respira
O carinho corre nas veias
É por aquilo que se nega
Que oferto toda minha lágrima

Janete do Carmo

(in memorian)
.

Um comentário:

Guilherme disse...

.


Eita que o que se vê aqui é uma completa conservação de verdadeiras obras primas.

E que doçura de estilo essa Poeta Eliane Thomas tem.

Parabéns a todos... e a você, Menina Eliane, por seu "Um grande amor".


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