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terça-feira, 19 de abril de 2011

PEQUENAS GRANDES PÉROLAS!



* * * *
Eu quero

Quero que me esperes,
Se um dia estiveres
Tão triste, mas triste de verdade,
Que as lágrimas escorram e tu não as possa estancar.
E que nada te comova, nem a bondade,
Porque eu estarei contigo para te apoiar...

Se enxergares apenas as sombras e a escuridão,
Se não enxergares a luz que se descortine,
E estiveres prestes a perder a razão,
E nada exista que te anime,

Coragem!
Porque eu vou contigo estar.

Se não puderes encontrar o teu eu superior,
Se não mais achares, dentro de ti, a criança,
E não puderes controlar o teu eu inferior,
E, de fato, tiveres perdido a esperança,

Confia!
Porque não estarás sozinho!

E, se um dia, teu coração congelar,
Estarei por perto para te aquecer.
Porque sou teu lar, teu abrigo,
Sou tua força, tua chama primeira,
Teu caminho, teu amigo,
Tua amiga, companheira,
Teu pai, tua mãe, teu irmão...
Sou a força verdadeira,
Que te acompanha a vida inteira.
Porque
Sou, da vida, a razão.
E dos pecados, o perdão.
Eu sou fé e compaixão.

Sou a ponte entre a dor e a alegria.
Sou bondade e sou magia,
Sou verdade e fantasia.
Sou a antítese da dor,
Sou teu rumo,
Sou teu norte
Não te deixarei sair do prumo,
Sou brando e sou forte.
Sou dos males a panacéia.
Sou a força da idéia
E a idéia da força.
Porque
Eu sou o Amor.

Jane Moreira



* * * *

Súplica Pagã

Sopra, vento,
E carrega além daqui
O que me vai no pensamento;

Corre, água,
E desagua a mágoa no além mar
Dessa ausência, demência que me afoga;

Passa, nuvem,
E desliza meu desejo
De querer quem eu não vejo;

Volta, tempo,
E devolve pra os meus braços
Os abraços, laços, lentos;

Olha, Deus,
Esta tua criatura
Com pecados, nada pura
Que suspira, chora, inspira

Concede-me um milagre
E deixar ser, esse amor
Que desde sempre já é
Fazei vinho, do vinagre
E batizai a minha fé

Célia Sena



* * * *


Paz

palavra de ordem
alicerçando meu ser
toque de docilidade
ato de compadecer

apego-me a concórdia
sem trégua para cizânia
devastando a tirania
espargindo misericórdia

nas veredas dessa lida
otimista no intento
coração e mente ilesos
conduzindo minha vida

Eliane Thomas


* * *
SOMOS O QUE PENSAMOS ( E ESCREVEMOS!)

Não gosto de ferir a alma da palavra!
De expor a público suas fétidas vísceras...
Pelo contrário, por ser fruto, a gente lavra,
Planta, cuida e agua, dando-lhe alvíssaras...

A Palavra tem a força de uma hecatombe!
Ela pode transmitir bênção ou maldição!
Por favor, ó poeta, dela nunca zombe,
Nunca a deixe vazar pelo seu coração...

Com a Palavra, Deus disse: "Faça-se a Luz!"
Por Ela, morreu o Filho de Deus na Cruz,
Por ser obediente ao Pai em Seu Amor...

"Somos o que pensamos". Irmãos e irmãs:
Evitemos palavras vazias e vãs...
Para que cada verso nosso seja Flor...

J. Udine



* * *


PIETÁ

Piedade das piedades.
Vírgem Imaculada,
Senhora da dor maior;
embalar o Filho Divino,
inerte, torturado, morto de cruz;
Mesmo Santa, ter no colo a agonia,
estigmatiza a alma casta,
É Seu, o calvário do Deus Menino,
Jacente, emana bendita luz;
Mãe de alma boa e vasta,
pesa tanto suportar o padecer,
sofrimentos do mundo,
mundo de pecadores;
Sacrossanto linimento,
sofrer mais profundo,
Senhora das Dores, todos tormentos;
chora silenciosa, interiormente;
a morte que traz no peito,
se fará vida em abundância,
não será preciso arrumar o leito,
ressuscitará levitando o Filho seu,
em prol do povo, para sempre Deus!

[gustavo Drummond]




* * *
Presenças de Deus

aqueles que sabem
que o divino não está
num livro
numa igreja
ou numa cruz
os que se afastam
do ópio do ódio
e do mal da matéria
que seduz
os que são na vida
estrela-guia
lanterna
que conduz
comprometem-se
com o próximo
e não fazem
papel de avestruz
nunca estarão na sombra
a sós ou da verdade
nus
são os que se deixam
queimar a pele
pela luz
e à branca hierarquia
fazem jus


Helenice Priedols


* *
A arte

ao traduzir-se
o poeta parte
de si...viaja,
ele diz.

ao conduzir-se
a poesia parte
de mim...revela,
ela diz.

ao produzir-se
a arte reparte
o mundo...orienta,
se diz.

Anorkinda


* *

Septilha

quero ver se me acostumo
na nova modalidade
desse mundo de consumo
com tanta futilidade
quero mais, ser vivida
quero mais dessa vida
quero ser, felicidade

Maria Rita Bomfim


* *

Diante do que não entendo

Sou limitado demais
para compreender
as fúrias e paixões
que movem os homens
e configuram
o enredo da vida.

Sou pequenino demais
diante do impassível tempo
que ás vezes escreve torto
em minhas linhas certas.
Por isso falo através da poesia,
onde posso ser múltiplo ou nulo.

Sou menino demais
para suportar as dores e apatias
desse triste mundo adulto.
Por isso protejo meu coração
em distantes ilhas
e castelos de pedra.

Países, cidades, lugares, pessoas
construíram minha identidade
de estrangeiro,
deram-me esta alma
de nômade,
a inquietude da dúvida.

Thiago Cardoso Sepriano

* *

Dedos e desejos

DOARIAM-SE ARDORES
AMORES EM EXTASE
PALAVRAS, AÇOITES
CALORES E BEIJOS

DESEJOS EM LINHAS
POEMAS TÃO QUENTES
FLAMEJAM AS MENTES
OS DEDOS EM RISTE

PAIXÃO DE PALAVRA
GOTAS DE FRASES
ESCORREM VONTADES
NA BOCA DA FOLHA

QUE LAMBE O MEL
DA PENA QUE ARDE

Márcia Poesia de Sá


* *
Abismos de angústia.

Qual paredão que na rocha erige-se,
que voltado ao céu, o afronta em alma,
a arte estrutura o árido em vegetável
e o poeta subhumano na dor desperta.

Criatura que se abrupta pela doença,
que doído, serve aos vermes e não a crença
e que a alma ainda se afeita a alguma beleza
no transe entre a vida agreste e a morte súbita.

E ainda assim como a orografia que transmuta,
de um lado a linda vegetação da verde planície
do outro a aridez, a seca da encosta brava.

Jaz em vida um poeta adoecido entre angústia
da vida efêmera e o viço da alma no Universo
e os vermes que sua matéria, no mal, espalma...

Godila Fernandes



* *
Consciência vital!.

Passamos por períodos inconscientes
e nos adaptamos a esta realidade,
aos poucos como um raiar de dourado sol,
começamos a vivenciá-la completamente.

Tanto e a tal ponto que não diferenciamos
mais a vida anterior, realidade espiritual,
da atual realidade, a material ou virtual,
crendo que sejamos meros hologramas.

Assim já que a memória nos trai sempre,
viver esta vida como um sonho real,
é mais fácil e decididamente o melhor.

Vida, consciência vital, que nos percorre
através de energia circular de elétrons
e nos faz vibrar todas as cordas do amor!

Godila Fernandes


* *
A Vida um movimento azul

A vida, uns sonhos vagos,
motes que escapam
pelo vão das noites

Asas furtivas que sobem,
pleiteando a liberdade
pelas grades da gaiola

Ou forte raio de luz
que desce e esclarece a vida
pelas frestas da janela

Sei que minha alma
inconstante segue
a emigração dos pássaros

E no movimento azul
já não sei se é tudo sonho
ou se é realidade que me invade.

Gladis Deble


* *
Quando é concreto?!.

Saber-se concreto o concreto
das estruturas da civilização,
nos faz duvidar da concretude.

Na arquitetura o concreto concreta
arte por todo o vigamento acessório,
arte e concreto concretam os sonhos.

No concreto das verdades teosóficas,
dogmas fazem perder-se o concreto
e Deus passa a ser nada concreto...

Porém de concreto nesta vida ilusória,
pois nem a vida espiritual é concreta,
só o abstrato amor ainda é concreto!

Godila Fernandes

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